
Um demógrafo francês, Alfred Sauvy, propôs o nome Terceiro Mundo, levando em conta o Terceiro Estado, termo este surgido durante a Revolução Francesa. A ideia por trás desse Terceiro Mundo era provocar uma revolução global através dos países alinhados dentro desse novo conceito.
Mas, com o surgimento da Guerra Fria (1945-1989), passou-se a entender, indevidamente, como Terceiro Mundo, todos os países que não se aliaram aos Estados Unidos, nem à União Soviética. Em poucas palavras: o que sobrou, de menor importância, países economicamente subdesenvolvidos, pobres e com sérios problemas sociais, como violência, miséria extrema e corrupção (Conferência de Bandung, Indonésia, 1955).
O mundo, porém, dá muitas voltas e, mesmo os mais diferenciados cientistas, não poderiam prever, na metade do século passado, o que aconteceria com a economia global ainda na primeira década deste novo século.
Uma das primeiras medidas tomadas pelos estudiosos foi trocar o termo Terceiro Mundo por Países em Desenvolvimento. Não se usa mais aquela denominação depreciativa, até porque muitos dos tais países pobres – e o Brasil esteve entre eles – evoluíram e passaram a ocupar melhor posição no mundo atual.
Ainda assim, é comum ver jornais norte-americanos se referirem ao Brasil como "terceiro mundo".
Nós sabemos o que temos de bom e o que grassa por aqui como indesejável e vergonhoso.
Hoje, o Brasil tem uma política econômica invejada por aquele Primeiro Mundo, mesmo com os problemas no judiciário, na política, na educação e na saúde. Há vagas sobrando na indústria e no comércio, temos um PIB elevado, não devemos nada ao Banco Mundial, somos destacados exportadores de bens de tecnologia, produtos agrários e serviços.
Isso sem falar na beleza de nossas lindas praias, no mar de águas tépidas, na paisagem exuberante em seu verde tropical, e na comunicabilidade do povo, sorridente e amigo, tratando os mesmos americanos, que ainda nos qualificam como terceiro mundo, com todo carinho e simpatia que eles jamais terão a oferecer.
Nossa indústria automobilística bateu recorde de produtividade, enquanto as colossais empresas de antanho fecham sua fábricas, algumas chegando a falir.
E, nesse momento de equilíbrio econômico que ora desfrutamos, vemos países como Itália, Espanha e Grécia enfrentando crises severas, com revolta do povo nas ruas, e ausência de luz para uma saída rápida dessa indesejável e traumática situação.
Enquanto isso, viajamos nos feriados, tomamos nossa água de coco sob o sol, ali naquela bela praia, falamos de futebol, vemos shows internacionais na vizinha e culta Paulínia, temos ocupação remunerada, e até esquecemo-nos de agradecer a Deus por tudo isso, mesmo sendo apenas um país em desenvolvimento.

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