quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Erros de interpretação

Os jornalistas bem sabem que, não raramente, são criticados por matérias que escreveram sobre determinado assunto. Porém, nem sempre as críticas são procedentes, principalmente quando partem de leitores desacostumados com interpretação de textos.
Há diferenças entre o que se escreve e o que um leitor desavisado interpreta.
Cito um exemplo. Um empresário contratou uma especialista em recursos humanos com o objetivo de avaliar seus funcionários e introduzir novas medidas disciplinares que aumentariam a produtividade da empresa, como um todo.
A especialista tinha uma figura fora do padrão. Era enorme, com seus 1,95 metros, e excessivamente obesa. Fora contratada por sua renomada capacidade em recursos humanos e para a adoção de medidas corretivas na empresa problemática.
Após três meses, como nada mudara na empresa, o proprietário enviou à especialista uma mensagem comentando, em bom tom, o seu descontentamento com os resultados do trabalho daquela senhora: "Suas medidas não agradaram meus mais íntimos desejos! Estou encerrando nosso relacionamento!"
Qual não foi sua surpresa ao receber uma intimação para comparecer a uma audiência com juiz, pois fora denunciado por assédio sexual e discriminação por obesidade. A especialista interpretou de forma errada a frase eminentemente profissional do empresário.
Um jornal do interior foi acionado judicialmente por ter publicado na primeira página a chamada "Matou a cadela da esposa por puro ciúme". A esposa de um funcionário público, que dedicava mais tempo à sua cachorrinha poodle do que ao marido, recebeu inúmeras ligações telefônicas de familiares e amigos para confirmar se ela estava mesmo morta. O marido, enciumado, atirou a cadela pela janela do décimo andar. Mas, muitos leitores apressados interpretaram de forma diferente.
Fiéis, consternados, foram até a igreja lá da praça, após lerem a manchete do jornal local:
"Fogo destrói parcialmente órgão do padre recém-chegado". Constataram, aliviados, que
um pequeno incêndio destruíra o instrumento musical da igreja. O padre estava intacto.
Em Brasília, a chamada de capa de outro jornal levou muitos eleitores a duvidarem da real paternidade de seu político preferido: "Deputado alega inocência diante da esposa grávida". A companheira do político, em adiantado estado de gravidez, questionara o marido sobre um caso de corrupção conhecido, que envolvia o nome dele. Nada a ver com o estado dela.
A notícia: "Professor ensina seus alunos a colarem os resultados da prova", levou diversos pais
até a diretora da escola, para protestarem contra o ato do professor. Ela explicou que se tratava de aula de trabalhos manuais, e que o professor ensinara aos alunos como deveriam colar os trabalhos de prova de cada grupo no mural da escola, para exposição futura. Os pais voltaram para casa mais calmos com a explicação.
Na capital, um conhecido jornal publica, na sessão de Entretenimentos: "Sai de cena o famoso ator de teatro Fulano de Tal". Seus fãs se aglomeraram na porta da casa do ator, querendo participar de seu velório, mostrando o grau de apreço pelo falecido. O próprio ator os recebeu, corado, cheio de vida e explicou que estava deixando uma peça de teatro em cartaz, para participar de uma nova novela.
Enfim, recomenda-se não ficar apenas na leitura dos títulos de matérias, mas ler, atentamente, até o final o texto correspondente. Isso evitará taquicardias, infartos e outros males desnecessários.

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