Vimos, há algum tempo, notando o efeito nocivo do uso indiscriminado do etc (et cetera).
Usado sem critério pela maioria dos escritores, e de seus supostos, esta abreviação latina, originária na idade média para certos atos jurídicos, passou a ser motivo de incertezas.
Por exemplo, quando alguém recebe uma missiva com o seguinte teor: “Caro Pedro, lamento informar que sua esposa tem cometido atos inaceitáveis como traição, etc".
Uma esposa que chega ao ato de traição e vai além, cometendo o etc, não pode, jamais, ser perdoada pelo marido. Pois, no etc cabem tantas coisas, todas elas fruto da imaginação do marido traído, que o perdão seria inconcebível.
Outro exemplo: Prezado Sr. Luiz Roberto, vimos solicitar sua imediata intervenção junto ao seu filho Wesley, considerando que o mesmo tem atacado a professora Celeste, etc. Um pai inconformado vai ficar imaginando o que seria o tal etc! Violência sexual, agressão física, ou meras bolinhas de papel atiradas sorrateiramente, enquanto a profissional do ensino escreve no quadro dito negro? Coitado do Wesley, quando chegar à casa! Será massacrado pelo pai furioso... e pode apenas ter jogado uma bolinha de papel na inocente Celeste! O etc levou o pai à fúria repressora...
Lemos, quase todo dia, na mídia, notícias sobre patrimônios acumulados indevidamente por funcionários públicos, em especial políticos. Na listagem divulgada, vem algo como: fazendas, terrenos urbanos, cabeças de gado, castelos, etc. Eis aí, novamente, o etc que tanto encanta os redatores! Se alguém tem acesso ao dinheiro público, a somas de bilhões de reais, o etc pode abranger iates, aviões, usinas de açúcar, edifícios inteiros de mais de 20 andares, e outras posses exorbitantes. O culpado de imaginarmos tantas coisas, exageradamente? É ele, o etc.
Assim, resolvemos criar a CNEE, abreviatura de Campanha Nacional de Eliminação do Et cétera. Precisamos de milhares de assinaturas de adesão para que o fim seja atingido: solicitarmos ao Ministério da Educação que o dito etc seja sumariamente eliminado de nossas redações, e até mesmo proibido, como palavra obscena, passível de processo por atentado ao pudor.
Quando isso acontecer, todos os textos seriam mais claros, mais explícitos, evitando a fúria dos que “interpretam o etc de maneira exagerada”.
Fica, aqui, nosso pedido de adesão.
Estamos certos de que você, como bom cidadão, bom marido e bom pai, saberá entender e apoiar a eliminação radical dessa inútil abreviação antiga e obsoleta, que os advogados inseriram em nossa escrita, e que serve apenas e tão somente ao exercício negativo da criatividade de quem lê.
A hora é agora! Adira!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
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