Onde foi parar a classe do homem (e da mulher) de hoje?
Por que bermudas desbotadas, longas, deselegantes em ambientes públicos?
Por que tênis sujos, mal lavados, muitos até sem cadarços?
Por que camisetas em igrejas e templos?
Por que barba mal feita?
Por que calça jeans estereotipadas, tornando todos iguais?
Onde foi parar a classe, repito?
Outro dia, a dona Irene, em seus setenta e poucos anos, conversava comigo, ali na esquina do Bradesco.
O papo rolava solto, sob o sol escaldante e com a ameaça próxima das águas de verão.
De repente, ela pára de falar e seu olhar, ainda eficiente, acompanha uma moça saindo do banco e vindo em nossa direção.
Não pude deixar de acompanhar essa observação de dona Irene, que examinou a mocinha de alto a baixo, meticulosamente.
Assim que a jovem entrou num carro estacionado, dona Irene não se conteve:
-"O senhor viu? Que absurdo! Acho que ela não tem mãe para corrigir seus trajes!", disse a velha senhora, escandalizada.
Realmente, a moça não estava lá essas coisas de bem vestida, mas não conseguiu me chocar, como fez com dona Irene.
- "Bem! Eu confesso que não prestei atenção à roupa da moça, mas o que a chocou tanto?"
- "Ela tinha uma blusa roxa, com calça marron. O sapato era vermelho claro, sem salto, deixando a menina ainda mais baixa do que era. Não tinha qualquer maquiagem, nem mesmo um lápis sombra nos olhos. O cabelo tinha jeito de que não via água, nem xampu, há muito tempo! Que moço vai olhar para ela, assim desse jeito? Vai morrer solteira!"
A menos do choque cultural e de gerações, a moça estava chamando a atenção pelo ridículo.
O gosto pela combinação de cores reflete um cuidado que o ser humano tem, desde milênios atrás. Arte etrusca, encontrada em poços seculares, mostra que os povos antigos já tinham perfeita noção de combinação de cores. E não havia Universidades, desfiles de moda, estilistas, muitos menos o São Paulo Fashion Week como referência.
A frase "o que importa é a beleza natural" pode ter seu efeito filosófico, mas não justifica o desleixo que se vê nos corredores de shoppings, ou mesmo em festas de aniversário, ou de debutante. O jovem não percebe, talvez, quando está destoando no ambiente em que se encontra.
Há casos em que o casal se caracteriza pela total desarmonia, a mulher bem trajada, devidamente maquiada, como exige a ocasião, e o companheiro com roupa adequada para uma partida de futebol na areia. E não se nota qualquer constrangimento, nem da mulher ao lado de um homem mal trajado, e muito menos do homem, com seu bermudão manchado, camiseta desbotada e tênis sem meia, em pleno domingo, num corredor de shopping elegante.
Choque de geração? Que me desculpem os psicólogos de plantão, mas o bem trajar atravessou séculos e sempre deixando claro o que é melhor, e o que é bem aceito.
Até mesmo os sarcófagos de múmias egípcias mostram pessoas com trajes elegantes.
Quadros famosos retratam reis, ou mesmo pessoas do povo, com trajes ao menos normais, dentro do respectivo nível socioeconômico.
Fica a esperança de que, como a sociedade é cíclica, um dia tenhamos os jovens e os adultos vestidos de maneira harmônica. Nada de chinelão de dedo, camiseta de algum time de futebol, bermuda enorme até o meio da perna, barba por fazer, cabelo revolto, de forma desleixada.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
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