O mundo moderno abriu perspectivas novas para pessoas iletradas, sem qualquer estudo.
O caso mais comum, aqui no Brasil, é de jogadores de futebol, que ganham muito, mas muito mesmo, dinheiro e pouco, ou nada, têm de estudo, ainda que básico. Um médico, que estuda mais de 30 anos para chegar ao um doutorado, pode jamais ganhar rendimentos comparáveis ao de um jogador de futebol, mesmo que esse não seja um Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.
Um professor universitário tem rendimento mensal médio que apenas chega aos dez por cento do que ganha um ator de televisão, embora muitos destes jamais tenham frequentado uma universidade.
Deputados Federais recebem quantias astronômicas, entre salários, benefícios, auxílios complementares, alimentação, moradia e outros que-tais pouco ou nada justificáveis. E muitos deles jamais completaram a escola secundária, sequer.
O nosso presidente da república não terminou a escola primária, embora tivesse oportunidade de completar seus estudos, pois há 30 anos não tem trabalho que absorva seu tempo, impedindo-o de buscar as letras. Poderia chegar ao doutorado, nesse tempo, se tivesse vontade.
Mas, num país de tantos iletrados como o nosso, o povo associa títulos de cultura à "elite dominante", como se, hoje, estivéssemos vendo essa tal elite avançando no patrimônio público. O que se vê, em termos de orgia de desvio do erário público, nada tem a ver com elites, ou diplomas, pois safadezas não escolhem lado para se pronunciarem.
Vamos nos colocar na posição de um adolescente de escola pública, sem boa condição financeira familiar, estudando a noite, e trabalhando durante o dia em uma indústria afastada de seu domicílio. Pode chegar o dia em que ele raciocine sobre seu esforço e as compensações que poderão advir dele, e chegue à triste conclusão de que seu estudo em nada irá minorar suas penúrias financeiras e de sua família.
Por outro lado, verá jogadores de futebol dirigindo carrões importados, artistas de tevê passando férias na Europa e morando em mansões e deputados se locupletando com dinheiro ilegalmente conseguido, através de arranjos escusos, negociatas em licitações, em tráficos de influência.
Não será preciso ser muito esperto para concluir que estudar não garante absolutamente nada, nesse mundo globalizado que tanto enfatiza as glórias efêmeras do esporte, da novela ou do circo de Brasília.
Falta, todavia, uma visão mais abrangente, quantitativa, das exceções de ricos iletrados na população ampla de um país. Para milhares de adolescentes jogando futebol em campos de várzea, um apenas se tornará um craque e ganhará milhões de reais a cada ano. Artistas famosos de televisão compõem um grupo muito restrito de pessoas, quando comparados com o grupo dos que tentam se projetar e nada conseguem. Muitos se candidatam a cargos eletivos na política local e apenas pouco mais de 500 chegarão ao Senado, ou à Câmara, para fazer jus ao mais que bem remunerado salário, completado com adicionais de natureza duvidosa.
Deve, pois, se cultivar o culto ao iletrado? Certamente que não!
Mesmo quando o presidente da república afirma que (sic) ler é pior que fazer exercícios em esteira, temos que manter no jovem o espírito da busca da leitura, do saber.
Não se conhece, na história da democracia mundial, um caso de grande estadista sem instrução, embora, como contraponto, se conheça muitos estadistas fracassados com boa cultura. Nosso presidente visita diversos países sem ler as notas resumidas sobre o país a ser visitado. E, assim, incorre em erros grosseiros, como quando incluiu a Bolívia entre os países que não têm fronteiras com o Brasil.
Mas, é verdade, fica muito difícil convencer um jovem rebelde e pouco amigo dos livros a estudar se ele vê, no topo, um dignitário que mal sabe garatujar algumas poucas palavras corretas.
segunda-feira, 23 de março de 2009
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