domingo, 14 de setembro de 2008

Espero

Jurou: voltarei aos seus braços,
E, juntos, seguiremos além!
Partiu... Olho seus passos.
Espero... Sei que não vem.

Sumindo, ao longe, distante,
No anil seu vulto confundo.
Ai! Amor cruciante,
Em mim, já sois moribundo.

Cansado, lembro seus traços,
(É só o que resta, porém...)
Partiu... Olho seus passos.
Espero... Sei que não vem.

As covinhas de teu rosto

De tudo o quanto já vi,

E só vejo o de bom gosto,

Pertence o mais belo a ti:

As covinhas de teu rosto.


Com um só de teus sorrisos

Superas do grego a classe.

Fídias, com planos precisos,

Nunca, talvez, te igualasse.


Quando a morte me chegar

Junto a ti, juro, me posto

Um consolo a suplicar:


Dá-me um derradeiro gosto.

Quero enterrado ficar

Nas covinhas de teu rosto!


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*Nota do autor:

Fídias

Atenas, 490 a.C. - idem, 431 a.C. Escultor e arquiteto grego. Amigo e protegido de Péricles é, sem dúvida, o artista culminante do classicismo grego. Diretor das obras da Acrópole. A sua obra costuma agrupar-se em dois grandes blocos: os relevos e as estátuas. Entre os relevos sobressaem os frisos do Parténon, que representam cenas mitológicas e que se encontram, na sua maioria, no Museu Britânico. Quanto às estátuas, não se conservam a monumental Atenea Promaco, que tem grande fama no mundo antigo, nem a Atenea Partenos; ambas estão no Parténon. São também famosas, embora delas apenas nos cheguem fragmentos ou cópias, a Atenea Lemnia, e o Zeus sentado do santuário de Olímpia.