domingo, 14 de setembro de 2008
Espero
E, juntos, seguiremos além!
Partiu... Olho seus passos.
Espero... Sei que não vem.
Sumindo, ao longe, distante,
No anil seu vulto confundo.
Ai! Amor cruciante,
Em mim, já sois moribundo.
Cansado, lembro seus traços,
(É só o que resta, porém...)
Partiu... Olho seus passos.
Espero... Sei que não vem.
As covinhas de teu rosto
De tudo o quanto já vi,
E só vejo o de bom gosto,
Pertence o mais belo a ti:
As covinhas de teu rosto.
Com um só de teus sorrisos
Superas do grego a classe.
Fídias, com planos precisos,
Nunca, talvez, te igualasse.
Quando a morte me chegar
Junto a ti, juro, me posto
Um consolo a suplicar:
Dá-me um derradeiro gosto.
Quero enterrado ficar
Nas covinhas de teu rosto!
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*Nota do autor:
Fídias
Atenas, 490 a.C. - idem, 431 a.C.
