Há fortes indícios de que as mulheres financeiramente independentes ainda se sentem na obrigação de prestar contas para seus maridos ou namorados.
Ou seja, todo o esforço de emancipação da mulher, desde algumas décadas, não conseguiu que, mesmo tendo sua própria renda, fruto de seu trabalho, elas se sintam descomprometidas com a opinião do homem de sua vida.
Algumas leitoras podem achar que estou inventando história e procurando chifres em cabeça de cavalos. Nada disso!
O importante jornal americano New York Times entrevistou um grupo de mulheres com ganhos salariais significativos e uma nova realidade veio à tona.
As mulheres americanas estão pagando suas compras em dinheiro vivo como forma de evitar a desagradável sessão de satisfações a maridos ou namorados. Isto elimina, segundo elas, a discussão sobre o que comprou, porque comprou, quanto pagou e se o que foi comprado realmente era de extrema necessidade.
Uma das entrevistadas, de 50 anos, casada há 27, tem seu próprio negócio e manipula seu orçamento pessoal, além daquele da empresa. Disse sentir-se mais à vontade ao chegar em casa com muitas sacolas e sem ter deixado rastros nos cartões de créditos.
A pesquisa aponta o fato de que tal tendência se verifica mais freqüentemente em lojas de artigos de luxo, com muitos itens acima de 10 mil dólares. Como as mulheres americanas representam 65% dos consumidores de artigos de luxo, mercado que cresce na taxa de 32% ao ano, pode-se imaginar o impacto desse novo hábito nos lares americanos.
A força de trabalho americana conta com 56% de mulheres, mas a grande maioria revelou que ainda tem necessidade de esconder do marido quanto gasta em itens pessoais, especialmente em roupas.
Segundo a psicóloga Kathleen Gurney, entrevistada pelo New York Times, se a mulher sente a necessidade de esconder suas despesas, pagas com seus próprios recursos, isto pode ser considerado como ausência do sentimento de independência. Ela acredita que um diálogo aberto sobre as compras vai melhorar, e muito, o relacionamento marido-mulher.
Na sociedade brasileira, onde o percentual de mulheres na força de trabalho tem aumentado significativamente, essa necessidade de diálogo pós-compras não se faz tão presente quando a mulher é financeiramente independente. Talvez o assim chamado “machismo brasileiro” seja neutralizado pela contribuição da mulher na receita doméstica. O marido vê a parceira como sócia e com certos direitos, na medida em que a figura do cabeça do casal fica diluída, se comparada a épocas passadas.
É evidente que sempre haverá exceções, mas a ausência de pesquisas não nos permite validar, de maneira extensiva, esse posicionamento da mulher brasileira, na comparação com a americana.
- “Querido! Estou ligando para avisar que vou chegar bem mais tarde, hoje, para jantar. Vou comprar alguns itens que preciso na Daslu. Vá jantando com as crianças e não me espere tão cedo! Beijos!”.
