segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Banalização dos sentimentos

Sou um usuário da Internet desde que ela existe.
Recebo, todos os dias diversos emails, vindos de amigos e conhecidos, com mensagens.
Uns vêem com música de fundo, daquelas de elevador. Outras com frases que levam muito tempo para se formar na tela, girando, invertendo, piscando, até que se tornem legíveis.
As mais melosas vêem com fotos de paisagens, a maioria de outros países, que vão se alternando até a última tela aparecer.
No final, um tipo de frase que considero "comando", na maioria das vezes muito chatas, desagradáveis:
-"Se você não passar esta mensagem para dez pessoas, a sua vida será castigada!"
Ou: "Passe esta mensagem para seu melhor amigo, pois ele pode estar precisando de você!"
Ainda acho que o telefone é mais eficiente. Ou uma visita, melhor ainda!
Entre fechos de textos com ameaças e outros com insinuações de desgraças, eu passei a não achar mais nada neles!
É a banalização dos sentimentos, via mensagens.
Os menos cultos ficam babando diante de fotos lindas e dão pouca importância ao objetivo de cada texto.
Os mais cultos já sabem, logo na primeira tela, o que virá depois, considerando a obviedade de todos eles.
Assim, quem precisa de mensagem melosa, com fotos lindas, com musiquinha de elevador?
Eu acho que, pela saturação atual, ninguém mais precisa.
Tenho vontade de responder aos que me mandam tais mensagens, usando uma abordagem direta, seca, e real:
-"Olha, meu amigo! Esta é a décima segunda ameaça que você me faz enviando textos padrão de mensagens melosas, impróprias para quem tem diabetes (não é o meu caso, felizmente!), e me dando comandos para eu obedecer, ao final! Chega disso, por favor! Não sou tão ignorante para chorar a cada mensagem, tão carente para me emocionar, tão ruim para mudar de vida, tão necessitado de que alguém me diga o que fazer. Chega!".
Pena que a maioria dos meus "amigos com musiquinhas de elevador" não lerão este texto!

Pegos pela palavra

A expressão do título é, geralmente, empregada quando alguém se pronuncia, de forma enganosa, sobre determinado assunto.

Mas, há outras formas de ser "pego" pela palavra.

Recentemente, uma quadrilha de assaltantes foi identificada e presa antes que consumasse mais um ato criminoso.

A quadrilha foi "pega pela palavra".

O plano era invadir um condomínio de classe alta, simulando um atendimento de chamado de assistência técnica, o que permitiria ao bando passar pela guarita sem ser detido, e sem chamar a atenção.

Para emprestar maior veracidade ao suposto atendimento técnico, a quadrilha usou um furgão, o qual ficaria estacionado defronte o condomínio, de maneira visível, para tirar qualquer dúvida que o porteiro pudesse ter.

Foram além: criaram uma empresa fictícia e escreveram o nome dela, com adesivos, nas laterais do furgão. Sob o nome da empresa, um endereço na Internet. Tudo bem planejado e convincente.

Mas, a polícia, que já andava de olho nos bandidos, acompanhou a operação à distância e só tiveram certeza absoluta da data da ação criminosa quando viram o tal furgão.

Lendo o nome da empresa, viram a palavra “Impório” escrita assim mesmo, com o “i” inicial. A mesma palavra se repetia no site, abaixo.

Os policiais logo viram que um erro daquele jamais seria cometido por uma empresa real.

Desconfiados, detiveram o furgão, já na porta do condomínio-alvo do crime e, assim, encontraram toda a quadrilha prontinha para a ação final: um apartamento onde o proprietário estava ausente, situação levantada pela quadrilha.

Esse foi um caso em que toda uma quadrilha “foi pega pela palavra”, certamente.

Talvez o responsável pela escrita seja algum aluno de segundo grau, desses que escrevem errado, mas, ainda assim, passam de ano. O mau aluno de português acaba, um dia, sendo pego pela palavra. Geralmente, no vestibular, mas, no caso aqui citado, foi num crime banal.