sexta-feira, 26 de outubro de 2007

As fotos de céu que faltaram






Não consegui colocar mais de uma foto no post anterior.
Fui tentando e agora inseri as fotos nesse novo post.

Céus


Quando o ser humano se sente abandonado, sem o apoio de alguém, olha logo para cima. Para o céu. É lá que deve estar Deus, pensa.

Como o globo terrestre é redondo, e não para de girar, dentro de um mesmo dia poderemos estar olhando para “céus” diferentes.

Num momento de reflexão, podemos olhar o céu de maneira variada. Ora, observando um infinito colorido, cheio de nuvens. Ora, tentando entender o que realmente significa o universo, em sua dimensão infinita (se é que existe “dimensão infinita”, pois dimensão é medida concreta, real, finita).

Coloco aqui algumas fotos de céus que eu mesmo fotografei.

Não pretendo que sejam apreciadas por seu conteúdo, mas gostaria que os seres mais “mundanos”, desses que só olham para baixo, adquirissem o hábito de levantar os olhos e ver o céu com carinho.

Ali, nada se pode controlar. A chuva forte que inunda, o ciclone que arrasa, os raios que queimam florestas. Tudo acontecendo à revelia, sem que possamos alterar um mínimo aspecto. É a grandiosidade de um espetáculo sempre novo, sempre diferente.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Quero ir embora


Se indagados sobre quais os requisitos principais para a genialidade de uma pessoa, provavelmente diríamos: inteligência, estudo, disciplina. Alguns acrescentariam a sorte.

É bem verdade que esses atributos podem definir a genialidade de muitos que se destacaram na história da humanidade. E até entendemos isso. Einstein é um dos muitos exemplos.

Mas, há um contingente de gênios que não se enquadraram nos atributos citados. Ao contrário, literalmente fugiram deles.

É o caso de Vincent Van Gogh, ilustre pintor, considerado um dos mais geniais pintores da história e que demonstrou, por seus atos e por sua vida, não ter a inteligência que preserva o ser humano, o estudo que o faz evoluir nos conhecimentos, e a disciplina que o permite alcançar o sucesso e a glória.

Van Gogh foi um gênio que correu na contra-mão da vida.

Nunca foi constante em nada a que se propôs fazer, desistindo de tudo aquilo que lhe faria ter uma visão mais ampla da vida e das pessoas que o cercaram.

Em certa fase crítica – se é que houve alguma que não fora crítica – decide ser pastor evangélico. Mas, não tinha o dom da palavra, não se comunicava bem com as pessoas e chegava até mesmo a despertar certa aversão em alguns de seus fiéis. Em determinada igreja, os membros chegam a pedir o seu afastamento, por considerá-lo inadequado à posição de pastor.

Precisando de recursos para se sustentar, Van Gogh se emprega na Casa Goupil, importante galeria de arte, na matriz de Bruxelas onde se dedica ao trabalho, mas seu comportamento estranho logo o torna indesejável e ele é transferido para a filial de Paris. Nesta filial, acaba sendo despedido por mau desempenho das tarefas que lhe eram destinadas.

Ora, uma pessoa inteligente, que precisa de recursos, procura se esmerar no trabalho, busca uma promoção, faz carreira. Tudo isso traz a compensação econômica e uma vida mais tranqüila. Não para Van Gogh. Onde está o fator inteligência que se supõe presente na genialidade?

Em 1877, o pai de Van Gogh, um pastor evangélico, reúne a família e, de comum acordo, decidem enviar Vincent à Universidade de Amsterdã. Pouco mais de um ano após iniciar naquela Universidade, Van Gogh decide abandonar seus estudos e voltar para casa.

Ora, uma pessoa genial procura estudar, e nunca abandona um curso superior apenas por se sentir torturado pela rotina da Universidade. Outro fator da composição da genialidade que não se faz presente na vida de Vincent Van Gogh.

Ele tentou fazer tantas e tantas coisas diferentes, morou em diversos países, foi apadrinhado para conseguir bons estudos, bons empregos e vivia de mesada enviada por seu irmão Theodore, intimamente chamado de Theo, a partir de certa etapa de sua vida errática. Nunca fez nada por completo, exceto seus desenhos e pinturas, demonstrando não ter disciplina para levar a cabo qualquer tarefa, mesmo que essa fosse imprescindível à sua sobrevivência.

Van Gogh só conseguiu vender um quadro, ainda em vida, o que mostra a mais absoluta ausência do fator sorte em sua busca por algo que nem ele mesmo conseguia definir.

Em resumo, o grande gênio Vincent Van Gogh não demonstrou ter uma inteligência razoável, abandonou oportunidades de estudo e não tinha qualquer noção – nem a mais básica – de disciplina. E a sorte sempre passou ao largo de sua vida, de seus planos, de suas buscas.

Isto derruba a tese levantada no primeiro parágrafo, acima.

Um gênio não tem fórmulas, condutas e objetivos baseados em fatores da vida comum que estamos acostumados a ver. Nem mesmo o próprio gênio entende a sua vida, conhece bem as molas propulsoras de sua genialidade.

Assim, só nos cabe admirar as obras de Vincent Van Gogh, um gênio da pintura, que nunca viveu de seus quadros e acabou se suicidando, num ato de loucura.

No hospital, após dar um tiro em si mesmo, já sem esperança de vida, ele balbucia suas últimas palavras: “Quero ir embora!”. E, só então, vai experimentar a tranqüilidade, nada mais tendo para correr em busca.